É de Rio Preto a primeira publicação científica sobre o uso de células-troncos no tratamento dessa doença autoimune que afeta todo o sistema digestivo do paciente

A terapia celular, que recorre ao uso de células-tronco, tem possibilitado inúmeras conquistas no tratamento de doenças autoimunes – aquelas em que o sistema imunológico do corpo ataca células saudáveis. É o caso da  doença de Crohn, uma inflamação crônica intestinal que afeta todo o sistema digestivo (da boca ao ânus). Médicos têm obtidos excelentes resultados por meio da terapia celular, eliminando a necessidade de medicamento e até de cirurgia.

Rio Preto é uma das pioneiras no Brasil nesse tipo de tratamento

E também é de Rio Preto a primeira publicação científica sobre o assunto, o livro Terapia Celular na Doença de Crohn, à venda no site da Amazon. A obra é de autoria de três médicos da cidade que são os únicos do país a utilizar a terapia celular no tratamento dessa doença autoimune: o proctologista Roberto Luiz Kaiser Junior, o endoscopista Luiz Gustavo de Quadros e o hematologista Milton Artur Ruiz, que fazem parte do corpo clínico do Hospital Beneficência Portuguesa.

O lançamento da publicação teve uma repercussão tão positiva na área médica que os três já estão preparando uma versão em inglês, além de serem responsáveis por um dos capítulos do livro que será lançado pelo médico norte-americano Richard Burt, que pesquisa os avanços da terapia celular na medicina. Burt, aliás, é responsável pelo prefácio do livro lançado pelos médicos de Rio Preto.

Segundo Kaiser Junior, o procedimento é similar ao transplante de medula óssea para tratamento de linfoma.

“O transplante de células-tronco é feito para mudar o sistema imunológico do paciente que convive com a doença de Crohn. Elas vão gerar um sistema imunológico novo, dando ao paciente uma nova chance de começar do zero”, conta o proctologista, que compara o transplante à formatação de um computador.

No livro, os três médicos relatam os resultados obtidos nos últimos cinco anos, quando realizaram, em Rio Preto, o primeiro transplante de células-tronco para tratamento da doença de Crohn. E o objetivo foi alcançado, 96% das pessoas que passaram pelo procedimento não necessitam mais de medicamento.

De acordo com o proctologista, que é especialista em cirurgia digestiva, os medicamentos usados no tratamento do Crohn são à base de corticoide e imunossupressores. “Há ainda ainda opções biológicas, ou seja, anticorpos que são lançados no organismo para combater os anticorpos que ocasionam a doença”, acrescenta.

No entanto, mais da metade dos pacientes não apresenta uma resposta positiva aos medicamentos, estando sujeita a cirurgia para retirada de parte do intestino. “Uma pessoa que convive com a doença de Crohn tem 80% de chance de passar por uma cirurgia. Por isso, a terapia celular representa uma grande evolução nesse sentido”, destaca.

A doença de Crohn é bastante invasiva, comprometendo todas as camadas da parede intestinal: mucosa, submucosa, muscular e serosa. Tem início com maior frequência na segunda e terceira décadas de vida, mas pode afetar qualquer faixa etária.

Essa doença ataca especialmente o íleo terminal (parte inferior do intestino delgado) e o cólon. Ela também é conhecida por Ileíte, enterite regional ou colite, dependendo qual região afeta.

Sua causa ainda é desconhecida, mas evidências científicas a relacionam a uma desregulação no sistema imunológico, além de fatores genéticos, ambientais, dietéticos e infecciosos.

Principais sintomas:

  • Artrite: as articulações correm o risco de inchar, causando dor e endurecimento. Desaparece quando a inflamação intestinal é controlada.
  • Aftas e feridas na boca: seu desenvolvimento ocorre, geralmente, durante os períodos de inflamação ativa do intestino.
  • Dor abdominal: geralmente no quadrante inferior direito, estando associada à diarreia (com ou sem sinais de muco e sangue).
  • Febre: indica alguma inflamação. Ela pode durar semanas ou até meses antes do aparecimento dos sintomas de Crohn, desaparecendo quando a inflamação intestinal é tratada.
  • Fadiga: o paciente pode sentir-se cansado facilmente.
  • Perda de peso e de apetite: as dores abdominais, juntamente com a cólica, fazem o paciente perder o apetite. Com isso, ele acaba perdendo bastante peso.
  • Diarreia: um sintoma bastante comum para os pacientes de Crohn, a diarreia intensifica as cólicas intestinais e provoca fezes moles.
  • Sintomas de pele: aparecem erupções cutâneas ou doenças fúngicas, as quais provocam dor e vermelhidão nas pernas.
  • Cólicas e dor abdominal: o que leva o paciente a sentir cólicas é a inflamação e a ulceração, pois afeta o movimento normal dos conteúdos que passam pelo sistema digestivo.
  • Fezes com sangue: é comum, também, o paciente de Crohn apresentar sangue nas fezes, de cor vermelha ou mais escura, e até mesmo sangramento que o paciente pode não conseguir visualizar.
  • Enfraquecimento: ocorre por causa da dificuldade para absorver os nutrientes.
  • Sintomas oculares: os olhos ficam avermelhados, feridos e sensíveis à luz (fotofobia).
  • Doença perianal: pode haver dor ou drenagem perto ou ao redor do ânus por causa da inflamação de um túnel na pele (fístula).

Fonte: Diário da Região 

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