Por ser o mês de nascimento de Pixinguinha (1897-1973), abril é época de exaltação do choro, o gênero que o músico ajudou a formatar. Para quem gosta ou quer descobrir o choro, uma série de shows e debates foi programada no Rio, cidade em que os chorões surgiram, em meados do século 19, e se multiplicaram. Clique no link abaixo para ficar por dentro da programação de choros pelo Rio de Janeiro.
Quer saber um pouco mais sobre esse estilo musical? Selecionei algumas informações e um vídeo da Chiquinha Gonzaga com Atraente.
O choro é um dos mais originais estilos de música, principalmente instrumental, cuja origem remonta o século XIX. Nascido no Rio de Janeiro, o choro ganhou forte expressão nacional, tornando-se um símbolo da cultura brasileira.
Diz-se que o “pai do choro” foi Joaquim Callado Jr., um exímio flautista mulato que organizou, na década de 1870, um grupo de músicos com o nome de “Choro do Callado”.
Os historiadores concordam, em geral, que o chorinho brasileiro é um estilo peculiar de interpretar diversos gêneros musicais. No século XIX, muitos gêneros europeus como a polca, a valsa, o schottisches, a quadrilha, entre outros, eram tocados pelos chorões de maneira original. Desse estilo de tocar consolidou-se o “gênero” do choro.
A história do choro desde Callado
Podemos dizer que a história do Choro começa em 1808, ano em que a Família Real portuguesa chegou ao Brasil. Depois de ser promulgada capital do `Reino Unido do Brasil, Portugal e Algarves´, o Rio de Janeiro passou por uma reforma urbana e cultural, quando foram criados muitos cargos públicos. Com a corte portuguesa vieram instrumentos de origem européia como o piano, clarinete, violão, saxofone, bandolim e cavaquinho e também músicas de dança de salão européias, como a valsa, quadrilha, mazurca, modinha, minueto, xote e, principalmente, a polca, que viraram moda nos bailes daquela época.
A reforma urbana, os instrumentos e as músicas estrangeiras, juntamente com a abolição do tráfico de escravos no Brasil em 1850, podem ser considerados uma “receita” para o surgimento do Choro, já que possibilitou a emergência de uma nova classe social nos subúrbios do Rio de Janeiro, a classe média, composta por funcionários públicos, instrumentistas de bandas militares e pequenos comerciantes, geralmente de origem negra.
Origem do termo “Choro”
Existe controvérsia entre os pesquisadores sobre a origem da palavra “choro”, porém essa palavra pode significar várias coisas.
Choro pode derivar da maneira chorosa de se tocar as músicas estrangeiras no final do século XIX e os que a apreciavam passaram a chamá-la de música de fazer chorar. Daí o termo Choro. O próprio conjunto de choro passou a ser denominado como tal, por exemplo, “Choro do Calado”.
O termo pode também derivar de “xolo”, um tipo de baile que reunia os escravos das fazendas, expressão que, por confusão com a parônima portuguesa, passou a ser conhecida como “xoro” e finalmente, na cidade, a expressão começou a ser grafada com “ch”.
Outros defendem, ainda,  que a origem do termo é devido à sensação de melancolia transmitida pelas “baixarias” do violão.
A composição de estreia de Chiquinha Gonzaga, em 1877, nascida de improvisação em roda de choro na casa do compositor Henrique Alves de Mesquita, a polca recebeu o nome de Atraente por arrastar os instrumentos presentes. Conheceu um sucesso estrondoso (15 edições ainda em 1877) e projetou o nome de Chiquinha Gonzaga para a fama – no início incômoda – na sociedade patriarcal do Segundo Reinado. A súbita popularidade da autora foi encarada como provocação por sua família, que passou a destruir as partituras vendidas nas ruas por moleques escravos. Tornou-se um clássico da música instrumental brasileira, passando a integrar o grande repertório do choro. Foi publicada em 1932, como n. 11 da 2ª série de Alma Brasileira, choros para flauta. Atraente foi gravada por músicos como Antonio Adolfo, Altamiro Carrilho, Benedito Lacerda, Clara Sverner, Eudóxia de Barros, Henrique Cazes, Leandro Braga, Marcus Viana, Maria Teresa Madeira, Muraro, Paulo Moura, Pixinguinha, Rosária Gatti, Talitha Peres, Turíbio Santos, além de orquestras e bandas. No final da década de 1970, ganhou letra de Hermínio Bello de Carvalho, em registros feitos por Leci Brandão, Olívia Hime e Edison Cordeiro.

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