A Associação Americana de Gastroenterologia emitiu novas orientações para o manejo clínico de pacientes com doença inflamatória intestinal durante a pandemia da COVID-19

O site de informações clinicas Healio contou com a colaboração do especialista David T. Rubin, do Centro de Doenças Inflamatórias intestinais da Universidade de Chicago, e colegas, que responderam algumas perguntas e com orientações claras sobre quais medidas tomar se, e quando, um paciente com DII desenvolver a COVID-19.

Pacientes com DII têm maior risco de infecção pelo SARS-CoV-2 ou desenvolver COVID-19?
Havia uma certa preocupação que pacientes com DII estivessem em maior risco porque estão regularmente em uso de imunossupressores e pela necessidade de alguns serem tratados em centros médicos. No entanto, o Dr. Rubin e colegas disseram que isso não parece ser o caso. “Apesar do potencial para uma maior exposição ao SARS-CoV-2, os limitados dados ora disponíveis e a opinião de especialistas sugerem que os pacientes com DII não parecem ter um maior risco de infecção por SARS-CoV-2 ou desenvolvimento de COVID-19,” assim escreveram. “Não está claro se a inflamação do intestino em si é um risco para a infecção pelo SARS-CoV-2, mas é sensato que os pacientes com DII mantenham a remissão a fim de reduzir o risco de recaída e necessidade de tratamento medicamentoso ou internação mais intensa.”

Quais são os desfechos se um paciente com DII desenvolver COVID-19?
Como acontece com muitos aspectos da COVID-19, os dados necessários para responder a essa pergunta são escassos. “É muito cedo para tirar conclusões definitivas, mas dos 164 pacientes relatados ao registro no momento da redação deste texto, pacientes com DII grave e COVID-19 (relatados como Avaliação Global do Médico) são mais susceptíveis de serem hospitalizados, seja em relação a sua DII ou à COVID-19 (ou a ambas)”, relataram Rubin e colaboradores. “Esperamos dados mais robustos nos próximos dois meses na medida em que os casos em todo o mundo crescem.” O registro internacional SECURE-IBD foi criado para coletar mais informações sobre como a DII e a COVID-19 poderiam interagir. Parte da orientação da AGA é solicitar aos médicos que enviem casos de DII e de COVID-19 confirmados para o registro oficial.

O que fazer com terapia?
Possivelmente a principal questão sobre a gestão da DII durante a pandemia é o que fazer com a terapia. Rubin e colegas explicam detalhadamente que a orientação se baseia em se o paciente testou ou não positivo para SARS-CoV-2 e se está apresentando sintomas.
Para pacientes com DII que não estão infectados com o vírus, os autores mencionaram que o objetivo deve ser o de manter a remissão e, portanto, os pacientes devem manter seus tratamentos. Além das consequências negativas óbvias de uma recidiva, a DII recidivante irá dificultar os recursos médicos disponíveis, podendo exigir terapia com esteroides ou internação, resultados que são muito piores do que os riscos conhecidos das terapias existentes de DII”, escreveram. “Semelhantemente às recomendações da população em geral, os pacientes com DII devem praticar o distanciamento social rigoroso, trabalhar em casa, ter uma higiene meticulosa das mãos e separar-se dos indivíduos infectados conhecidos.” Se um paciente com DII testar positivo para SARS-CoV-2, tiopurinas, metotrexato e tofacitinibe devem ser temporariamente suspensos, de acordo com Rubin e colegas. Terapias biológicas devem ser suspensas também. Se os sintomas da COVID-19 ainda não tiverem se manifestado, o uso de biológico pode ser postergado por 2 semanas durante o monitoramento dos sintomas.

Fonte: Healio Gastroenterology por Alex Young
Revisores Colaboradores:
Adriana Attux – attux.dox@gmail.com
Dr Anicet Okinga – youtube.com/c/DoutorOkinga

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