Ontem compartilhei informações sobre a Consulta Pública da Conitec/SCTIE Nº 47/2020 referente à Proposta de incorporação do teste de liberação interferon-gama (interferon gamma release assay – IGRA) para detecção de tuberculose latente em pacientes imunocomprometidos.

Achei importante compartilhar com vocês mais algumas informações sobre essa consulta pública, mas também sobre a tuberculose, testes de diagnóstico e a importância desse assunto para os pacientes imunocomprometidos.

O que é tuberculose?

A tuberculose é infecção causada por uma bactéria – Mycobacterium tuberculosis (bacilo de Koch), que atinge principalmente os pulmões, sendo chamada de tuberculose pulmonar, mas pode acometer diversas partes do organismo, neste caso sendo chamada de tuberculose extrapulmonar.

Infecção Latente por Tuberculose (ILTB)

Nem todos os infectados pelo bacilo desenvolvem a doença. Ele pode permanecer no organismo durante anos, sem que a pessoa adoeça por tuberculose. A isso se dá o nome de infecção latente por tuberculose (ILTB). Você também pode ter ouvido como tuberculose silenciosa.

A ILTB ocorre quando uma pessoa se encontra infectada pelo Mycobacterium tuberculosis,
sem manifestação da doença ativa. Em geral, as pessoas infectadas permanecem saudáveis por muitos anos, sem transmitir o bacilo, e com imunidade parcial à doença.

Estima-se que um quarto da população mundial esteja infectada pelo Mycobacterium tuberculosis. Isso, todavia, não significa que todos os infectados adoecerão com a forma ativa da TB, e sim que constituem reservatórios do bacilo que podem ser reativados sob condições de resposta imunológica alterada. Aqui começo a chamar a sua atenção, caso você se inclua nos pacientes que estão em uso de medicamentos imunossupressores.

Drogas imunossupressoras, como anti-TNF e inibidores de interleucina (também conhecidos como terapia biológica) podem causar reativação de uma tuberculose latente (silenciosa) ou de uma hepatite B. Por isso, todos os pacientes precisam ser investigados sobre essas doenças antes de iniciarem tal tratamento.

 

Atualmente o teste padrão utilizado para detecção da ILTB no SUS é o teste tuberculínico PPD (do inglês purified protein derivative), que depende de uma resposta de hipersensibilidade tardia a uma proteína purificada derivada de M. tuberculosis.

 

A literatura mais recente tem sugerido que o IGRA pode apresentar maior utilidade diagnóstica em populações imunossuprimidas, mais propensas a ter um resultado falso-negativo no PPD.

 

Espero ter lhe fornecido informações que ajudem para sua contribuição na Consulta Pública Conitec/SCTIE Nº 47/2020 referente à Proposta de incorporação do teste de liberação interferon-gama (interferon gamma release assay – IGRA) para detecção de tuberculose latente em pacientes imunocomprometidos. O tema foi encaminhado com recomendação favorável pelo Plenário da CONITEC e segue para consulta pública até o dia 21 de setembro.

Participe da Consulta Pública! Há um link de acesso para pacientes, familiares, cuidadores, associações e outro para profissionais de saúde e técnicos.

Esse é o momento de colaborarmos! Quanto mais opções diagnósticas disponíveis, mais os profissionais de saúde poderão contribuir para reduzir o impacto da tuberculose em nossas comunidades e melhor será o manejo dos pacientes.

Estamos juntos nessa! Você precisa de mais informações?
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Fontes:

CONITEC – Relatório de recomendação de incorporação do IGRA (interferon gamma release assay) no SUS.
Cartilha ABCD – Diagnosticando e Monitorando a DII.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Manual de Recomendações para o Controle da Tuberculose no Brasil/Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2019.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Cartilha para o Agente Comunitário de Saúde : tuberculose/Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2017.

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