O frio vem chegando e confesso que eu tenho uma relação de amor e ódio com ele. Amo ficar embaixo de um bom cobertor bebendo um chazinho mas odeio as dores pelo meu corpo durante o frio. Dói pescoço, ombro, cotovelo, joelho, coluna, essas dores de frio… ai ai, você também tem dor de frio? Agora me diga, você acha que o frio causa essas dores? Será que não passam de “casos de nossas avós” essas dores de frio? E quando alguém afirma que é capaz de prever o tempo? Busquei algumas informações sobre esse assunto para acabar com essa dúvida.

O Fisioterapeuta Artur Padrão explicou no seu blog Dorterapeuta que mudanças na pressão barométrica articular, rigidez articular e muscular, mudanças no fluxo sanguíneo e a sensibilização dos nociceptores estão entre as explicações mais conhecidas. Mas, a explicação mais legal de todas diz que os neurônios da nossa querida amiga medula espinhal não toleram mudanças pelo frio do ambiente.

Tendões, músculos, ossos e cicatrizes possuem densidades diferentes e a expansão e a retração sofrida por esses tecidos com a alteração da temperatura e a umidade podem resultar em aumento das dores em locais onde já há lesão. Espasmos musculares induzidos pelo frio também podem explicar alguns casos de piora da dor.

Essa semana, por exemplo, minha cicatriz na barriga coçou muito e ontem o tempo virou com frio e chuva. Ah! Já está clareando as idéias? Pois é, se você assim como eu, sente coceira nas cicatrizes e dores pelos corpo, já tem aí a explicação, mas se ainda não ficou muito claro, tenho mais informação.

 

Vamos falar um pouquinho sobre a pressão atmosférica? Ela pode ser representada como a pressão do ar sobre uma superfície, é o peso que o ar exerce sobre a superfície terrestre e ela sofre variações conforme as altitudes e as condições de temperatura do ar. Quimicamente falando (Farmacêutica tem falar de química), quando as substâncias estão mais frias, as moléculas agrupam-se, e quando as substâncias estão mais quentes, as moléculas afastam-se. Por isso, nas zonas da Terra em que as temperaturas encontram-se menos elevadas, as moléculas de ar unem-se, ficando mais densas e, portanto, mais pesadas, aumentando a pressão. Quando as temperaturas se elevam, as partículas se afastam, o ar fica menos denso e a pressão diminui. Agora levando essas informações para o nosso corpo, como ele percebe essas variações, podemos observar que anteriormente à mudança de clima ou a chegada da chuva, há uma diminuição da pressão atmosférica o que leva a uma ligeira expansão dos tecidos articulares provocando uma maior pressão nas articulações. Aí chegam as dores nas juntas, e como doem! Pessoas com artrose e artrite crônicas, fraturas antigas e fibromialgia podem ter mais crises de dor com as mudanças climáticas.

 

 
Fonte: http://goo.gl/1jYFWv

No frio as pessoas ficam com os músculos mais contraídos, o que pode levar ao agravamento da dor. O frio tende a causar a contração do corpo, para reter calor. As dores então surgem do enrijecimento dos músculos e articulações.  As pessoas também tendem a ficar mais quietinhas do que se exercitarem e isso é um erro, o ideal é sair do cobertor, jogar a preguiça de lado e praticar alguma atividade física, sempre aliada a um bom aquecimento e um bom alongamento para evitar lesões.

E o aumento de peso comum nessa época? Quanto maior a sensação de frio, maior o apetite, uma vez que em temperaturas extremamente baixas o metabolismo basal pode aumentar em até cinco vezes para manter a temperatura normal do organismo. A fome também é uma resposta do organismo para otimizar o isolamento térmico através do aumento da gordura corporal. Por isso a preferência por alimentos calóricos, principalmente ricos em gordura, como chocolate, queijos, feijoada e etc. Pronto! Não é gula nem olho grande! É somente o nosso corpo querendo aumentar o cobertozinho (gordura) para aquecer nossos órgão. Acontece que o apetite aumenta e a prequiça aumenta junto, deixamos de lado práticas saudáveis como a atividade física regular para ficar embaixo do cobertor até mais tarde. Mas vou te dar um conselho, é preferível mudar os horários a deixar de fazer seus exercícios físicos, vai te ajudar muito com essas dores e evitar a controlar o peso. Lembre-se o excesso de peso compremete as articulações.

O inverno é um período onde as pessoas ficam mais resfriadas, gripadas, as viroses se espalham e isso ocorre muito também porque ficamos em ambientes mais fechados com pouca circulação de ar. Os refriados e as gripes trazem todo um mal-estar, dores pelo corpo que se prolongam mesmo depois de curados. Então evite ambientes fechados, use soro fisológico para limpar as narinas, lave as mães sempre que possível e alimente-se de forma saudável, comendo mais frutas e bebendo mais líquidos.

Agora vamos conversar sobre as doenças inflamatórias intestinais (doença de Crohn e retocolite ulcerativa). Essas doenças podem podem apresentar, além dos sintomas gastrointestinais típicos (diarréia, cólicas abdominais entre outros), sintomas referentes a acometimentos de outros órgãos e sistemas conhecidos como Manifestações Extraintestinais (MEI) das doenças inflamatórias intestinais. Muitos pacientes portadores de doenças inflamatórias intestinais (DII),  cerca de 33% dos pacientes, sofrem de complicações musculoesqueléticas. Alguns mecanismos auto-imunes patogênicos semelhantes são propostos para as DII e para as espondiloartopatias, como por exemplo: susceptibilidade genética à apresentação anormal a antígenos, reconhecimento aberrante do “self “, presença de autoanticorpos contra antígenos específicos compartilhados pelo cólon e outros tecidos extracolônicos e aumento da permeabilidade intestinal. As manifestações reumáticas nas DII são divididas em artrite periférica e em acometimento axial, incluindo sacroileíte com ou sem espondilite. Outros acometimentos periarticulares podem ocorrer como entesopatias (envolvimento da inserção dos tendões), tendinites, periostites e lesões granulomatosas de ossos e articulações.

Eu tenho artrite associada a doença de Crohn e os sintomas mais fortes surgiram depois da minha cirurgia no intestino e quando já estava em remissão. Sempre senti dores na coluna, mas sempre associei à má postura ou excesso de exercícios físicos, até que surgiram duas dores bem agudas, no cotovelo e no pescoço que tiraram meu sono. Procurei uma Reumatologista e iniciamos os exames para o diagnóstico. Exames de sangue normais, mas os de imagem nada bons, sendo assim, após a Reumatologista e meu Gastroenterologista conversarem saiu o diagóstico para artrite relacionada a DII. Já faço uso de um imunobiológico, o Remicade para DII e este é também indicado para artrite, foi incluído então, mais um medicamento modificador do curso da doença (DMARD), o Azulfin. Atualmente me sinto bem, mas já observei que o frio está me deixando com dores no pescoço, nada muito forte como o que senti antes de iniciar o Azulfin. No meu caso, acredito muito que essa dor de frio esteja relacionada ao fato de que fico com os múculos mais tensos, contraídos, sou magra e inevitavelmente sinto mais frio.

Então se o frio dói, como explicar o uso do frio para dor? Busquei essa informação também com o Fisioterapeuta Artur Padrão: O frio diminui a atividade do sistema nervoso, o que reduz a chegada de estímulos nociceptivos (isso se a nocicepção tiver relação com a dor) e ajuda a controlar o processo inflamatório de lesões. O frio intenso é irritativo para o sistema nervoso e tende a aumentar a dor. Talvez por isso a queda da temperatura ambiente seja sentida por muitos. O sistema nervoso sensível fica menos tolerante a mudanças na temperatura, especialmente pelo frio. A pele fica mais sensível que o normal (redução do limiar a estímulos como a temperatura) porque os sensores de temperatura estão mais ativos para captar mudanças.

Espero que nesse texto, mesmo com algumas palavras mais complicadas, você tenha encontrado algumas respostas para as tais dores de frio e claro, como tenho uma doença inflamatória intestinal, não poderia deixar de trazer mais informação sobre elas. Muitos pacientes com DII usam ou já usaram corticoides, é inevitável, sem dúvida o melhor antiinflamatório, mas com efeitos colaterais muito perigosos e desagradáveis como a osteoporose. Alguns pacientes já passaram por cirurgias ortopédicas e muitas vezes o vilão foi o corticóide, mas como você leu aqui no texto, existe uma grande associação entre as DII e artrites o que pode também levar a cirurgias. Então, quando o seu médico lhe disser que o seu problema ósseo pode ter sido pela DII ou pelo uso do cortióide você irá compreender melhor. Paciente informado, educado sobre a sua condição, encara o tratamento com mais tranquilidade, facilita a abordagem dos profissionais de saúde envolvidos no tratamento.
Fontes:
Artur Padrão, Dorterapeuta – https://goo.gl/AeCThK e https://goo.gl/CJdd7w
Mundo Educação – http://goo.gl/Bflh1N
O Guia do Fisoterapeuta – http://goo.gl/kSzII0
Manifestações Extraintestinais das Doenças Inflamatórias Intestinais – Dra Ana Braunstein Grinman: http://goo.gl/KdU28t

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