Mulheres de origem europeia têm duas vezes mais chances de serem naturalmente loiras do que homens, de acordo com o maior estudo genético já feito sobre pigmentação – que analisou quase 300 mil pessoas de ascendência europeia. O estudo encontrou 124 novos genes que desempenham um papel importante na determinação da variação da cor do cabelo humano.

Isso também pode ajudar a aumentar a compreensão sobre alguns tipos de câncer e de doenças do aparelho digestivo

Os autores do relatório dizem não saber ao certo, entretanto, as razões que explicam o número bem maior de mulheres loiras do que homens e chamam o fenômeno de “mistério intrigante”.

O estudo, publicado na revista Nature Genetics, usou dados fornecidos pelo UK Biobank, que desenvolve pesquisas no Reino Unido na área de saúde, pela empresa americana de testes de DNA 23andMe e pelo Consórcio International Visible Trait Genetics e seus parceiros de estudo na Holanda, Austrália e Itália.

Eles escolheram pessoas de ascendência europeia por causa de sua variedade de cores de cabelo.

E descobriram que os homens eram três vezes mais propensos do que as mulheres a ter cabelos escuros.

Tim Spector, autor principal do estudo, do King’s College de Londres, disse à BBC que os pesquisadores não esperavam encontrar mais mulheres loiras do que homens.

“Isso é um mistério e é intrigante porque não era o que procurávamos. Achamos que fosse uma espécie de juízo pré-concebido, mas ela não ia embora e o constatamos em todos os subgrupos de populações que analisamos”, disse ele.

“É um mistério curioso, porque tem um efeito muito grande – ver efeitos duplos e triplos em uma variedade inteira de populações americanas e europeias foi realmente surpreendente”.

Os pesquisadores dizem que isso abre uma nova frente de pesquisa – para descobrir o por que -, mas Spector tem algumas teorias.

“Achamos que poderia ter algo a ver com a atração das mulheres por homens de pele mais escura e vice-versa – mas não achamos que os genes sejam diferentes. Achamos que os genes estão sendo expressos de forma diferente – por alguma razão os genes loiros que podem estar lá no nascimento persistem nas mulheres mas somem (ou não são ativados) no sexo masculino”.

Ou seja, mulheres loiras têm a mesma probabilidade de dar à luz tanto garotos loiros quanto garotas loiras, mas os meninos não estão mantendo seus cabelos geneticamente loiros quando crescem.

O processo de mudança de expressão dos genes – sua ativação e desativação – é conhecido como epigenética.

Spector disse que pode haver outros genes afetando o processo, e há exemplos disso em estudos com camundongos em que substâncias químicas, estresse e hormônios afetam a maneira como alguns dos genes do pigmento funcionam.

“Mas parte disso pode ocorrer por razões evolutivas, porque as mulheres loiras têm maior probabilidade de ter sucesso com homens e os homens são mais propensos a ter mais sucesso com as mulheres se elas tiverem cabelos escuros ao invés de cabelos claros.

“Muito disso é especulação – mas abre uma nova frente de pesquisa para tentar descobrir por que os genes podem ser expressos de maneira diferente em homens e mulheres e qual seria o motivo disso – e se esta é uma mudança cultural recente”.

A descoberta de 124 genes ligados à cor do cabelo também revelou algumas relações com cânceres, como os de pele, testículos, próstata e ovário.

Outros genes de pigmento que os pesquisadores identificaram afetam chances de ter a doença de Crohn – uma inflamação crônica que afeta o sistema digestivo – e outras formas de doença intestinal.

Os pesquisadores, que incluem especialistas da Erasmus MC University Medical Centre, em Roterdã, esperam que suas descobertas ajudem a melhorar a compreensão dessas doenças e a desenvolver novas drogas para atacar esses genes.

Os genes também tornam mais fácil e mais preciso prever a cor do cabelo a partir do DNA, o que poderia ajudar a ciência forense na resolução de crimes, acrescentam.

Fonte: BBC

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