Insights sobre os fatores ambientais das Doenças Inflamatórias Intestinais
A Doença Inflamatória do Intestino (DII) engloba diversas condições patológicas, sendo as mais comuns, a Colite Ulcerativa e a Doença de Crohn, que afetam o trato gastrointestinal e são comumente associadas à desnutrição proteico-energética.
Os fatores ambientais desencadeiam o surgimento, bem como a intensidade das crises da DII. No entanto, embora tenhamos aprendido muito, nos últimos anos, sobre os fatores genéticos de suscetibilidade da DII, o nosso conhecimento sobre os fatores ambientais ainda é limitado. A soma de todos os fatores ambientais que o ser humano está exposto durante a vida foi denominado “exposoma”. A exposição ambiental, ou exposoma, provoca alterações na microbiota intestinal e, posteriormente, altera o imprinting metabólico (por aspectos epigenéticos) da mucosa intestinal e do sistema imunológico associado. Alguns fatores ambientais, relevantes para a DII, merecem destaque: poluição do ar, dieta, medicamentos, estresse, infecções, poluição da água, aditivos alimentares e estilo de vida.
A “hipótese da higiene” tenta explicar o aumento da incidência da DII e o aparecimento progressivo dessas enfermidades em períodos diferentes ao redor do mundo. Logo após a Segunda Guerra Mundial, houve aumento na incidência na América do Norte e Norte da Europa, seguido pelo aparecimento na Europa Ocidental, Europa Central, Japão e Austrália. Mais tarde, a América do Sul e a Europa Oriental apresentaram elevação da incidência, e na última década, observamos aumento na incidência no eixo Ásia-Pacífico. À medida que houve melhora nas condições de saúde, com menos infecções e doenças parasitárias, melhores condições sanitárias, acesso a vacinas e adoção de hábitos alimentares nas sociedades ocidentais, os pacientes foram menos expostos a infecções na infância, tornando o sistema imunológico menos preparado para lidar com as exposições antigênicas no decorrer da vida.
Muito se discute atualmente sobre os fatores ambientais e qual poderia apresentar maior impacto nas DII. Enquanto não há uma resposta para essas perguntas, os pacientes são orientados a evitar qualquer tipo de agente que possa desenvolver uma crise, de acordo com seu histórico clínico. Sabe-se que as alterações nutricionais da DII dependem da extensão e da gravidade com que se manifestam as patologias, e é bem estabelecido que a terapia nutricional é um recurso terapêutico extremamente útil, atuando diretamente sobre o estado nutricional, com consequente benefício na evolução e tratamento da DII. O suporte nutricional oral, enteral e parenteral também se mostram eficazes na remissão da DII, pelo fornecimento de nutrientes com funções fisiológicas específicas. Estes nutrientes atuam modulando a resposta imunológica e inflamatória, mantendo a integridade da mucosa intestinal, melhorando a situação clínica e, consequentemente, o estado nutricional destes pacientes.
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