Em julho nos reunimos para o I Encontro Farmale que foi uma experiência incrível e gratificante. Organizei esse primeiro encontro para que todos pudessem compartilhar suas evidências de vida com as Doenças Inflamatórias Intestinais (DII) e a Proctologista Dra Giovana Zibetti compartilhou muitas informações importantes sobre as DII contribuindo para o empoderamento de todos.

Os Encontros Farmale serão mensais, mas como estávamos vibrando com a Olimpíada e a Paralimpíada nesses últimos meses, programei o II Encontro Farmale para o dia 22 de outubro.

A escolha do palestrante foi feita com muito carinho e o Médico convidado é muito especial para mim: Dr Flavio Abby é Titular em Endoscopia Digestiva pela Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED). Dr Flavio é o médico que sempre faz minhas colonoscopias e que conheço desde a época que iniciei meu tratamento no ambulatório da Disciplina de Gastroenterologia e Endoscopia Digestiva do HUPE-UERJ. Este ambulatório tem como foco o diagnóstico, acompanhamento e tratamento das DII, foi inaugurado pela Dra Ana Teresa P. Carvalho e pelo Dr. Flávio Abby.


A endoscopia propriamente dita possibilita a inspeção visual direta das estruturas internas dos órgãos do aparelho digestório, tais como: esôfago, estômago, intestino delgado, cólon e reto; permite amostras teciduais (biópsias) e intervenções terapêuticas pouco invasivas.

Principais exames endoscópicos: Colonoscopia, Endoscopia Digestiva Alta, Retossigmoidoscopia, Enteroscopia do Intestino Delgado, Colangiopancreatografia Retrógrada Endoscópica, Ultrassonografia Endoscópica, Cápsula Endoscópica.

A colonoscopia é utilizada para inspeção visual de todo o cólon e a porção final do intestino delgado (íleo terminal). Assim como a endoscopia alta, a colonoscopia envolve o uso de sedação nos exames. A colonoscopia está indicada em diversas situações, tais como avaliação e tratamento de sangramento digestivo, avaliação de anemia ferropriva, triagem do câncer de colo e reto, diagnóstico e acompanhamento das DII, bem como avaliação de diarreia clinicamente significativa de origem desconhecida.

A colonoscopia é considerada o melhor exame para fazer o diagnóstico da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa, logo, se houver suspeita de algumas dessas DII, certamente você receberá uma solicitação para realizar esse exame. Na verdade, não são somente as DII que podem ser diagnosticadas pela colonoscopia, outras doenças também podem ser visualizadas, como o câncer de intestino, pólipos, diver­tículos, parasitoses. É um exame que possibilita também a retirada de pólipos, a realização de biópsias, procedimentos que propiciam a dilatação de uma área de estenose e tratamento de uma lesão que esteja causando hemorragia. E no caso espe­cífico das DII, a colo­nos­copia, através de biópsias, pode estabelecer o diagnóstico entre retocolite ulcerativa ou doença de Crohn. O seu procedimento é simples, mas costuma ser bastante desagradável para os pacientes, pois é necessário fazer o preparo do intestino provocando a eliminação de todas as fezes que estejam acumuladas ali, ou seja, diarreia seguida de diarreia, até deixar o intestino completamente limpo.

Compartilho aqui, parte de um artigo da Revista Hospital Universitário Pedro Ernesto, para que você entenda a importância da endoscopia para o diagnóstico das DII.


DIAGNÓSTICO DAS DOENÇAS INFLAMATÓRIAS INTESTINAIS

O diagnóstico das doenças inflamatórias intestinais (DII) é estabelecido após avaliação do quadro clínico, em concordância com evidências endoscópicas, laboratoriais, radiográficas e achados histopatológicos.

A doença de Crohn (DC) pode acometer qualquer parte do trato gastrointestinal, da boca ao ânus, no entanto, frequentemente os segmentos do íleo terminal e cólon são os mais acometidos. O quadro clínico vai depender da região comprometida e do fenótipo predominante da doença, que pode ser: inflamatório, estenosante ou penetrante. Já a retocolite ulcerativa idiopática (RCUI) se limita ao acometimento do cólon exclusivamente. A partir da suspeita clínica, deve-se proceder a investigação endoscópica do cólon em todos os pacientes. Os achados endoscópicos para DC incluem erosões, úlceras aftosas, úlceras profundas, serpiginosas e com mucosa ao redor geralmente poupada, fístulas e padrões de descontinuidade ou salteamento. O acometimento perianal está presente em 30% dos pacientes e se caracteriza por fístulas, estenoses de canal anal, plicomas aberrantes e fissuras. Na DC, 40% dos pacientes apresentam ileocolite, 30% acometimento exclusivo de intestino delgado e 30% acometimento exclusivo do cólon. A RCUI se caracteriza pelo padrão contínuo e difuso, com úlceras rasas que se limitam à mucosa. Sempre que possível, deve ser realizada a investigação do intestino delgado.

A partir da suspeita clínica, deve-se proceder a investigação endoscópica do cólon em todos os pacientes, desde que não apresentem contra-indicação ao procedimento. Nos pacientes com DC, a investigação também deve incluir a endoscopia digestiva alta, já que o acometimento da doença pode ocorrer em qualquer local do trato digestivo e recentemente a enteroscopia por tomografia ou por ressonância magnética também foram incluídos. Tal medida tem papel importante para o diagnóstico e avaliação da extensão da doença.

Tanto a RCUI quanto a DC apresentam padrões endoscópicos que sugerem um ou outro diagnóstico, no entanto, alguns pacientes podem apresentar achados endoscópicos característicos de ambas as doenças, dificultando o diagnóstico preciso. Esta dúvida se limita aos pacientes com acometimento exclusivo do cólon, que não apresentam fístulas ou doença perianal. Nestes casos, é feito o diagnóstico de colite inflamatória indeterminada, que ocorre em aproximadamente 10 a 15% dos casos de DII.

Fonte:
Cabral MG, Abby F. Diagnóstico das doenças inflamatórias intestinais. Revista Hospital Universitário Pedro Ernesto. 2012;11(4):17-21. http://revista.hupe.uerj.br/detalhe_artigo.asp?id=349

Muita informação? Muitas dúvidas? Então não deixe de participar do II Encontro Farmale com o Dr Flavio Abby, uma oportunidade única para compreender e nos empoderarmos sobre as DII. 


Data: 22 de outubro de 2016
Hora: 9:30h
Local: Medical Copacabana Medical Center 
Rua Siqueira Campos, 93 Andar P – Copacabana
Evento gratuito
Teremos um coffee break
Informações: farmaleachou@gmail.com

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