Já está comprovado que o uso de alguns medicamentos – especialmente antibióticos – altera de maneira significativa a microbiota intestinal e pode levar a quadros de desconforto abdominal, diarreia ou constipação.

Mais recentemente, os cientistas passaram a investigar até que ponto o sucesso do tratamento medicamentoso pode depender da presença de determinadas bactérias para uma resposta mais efetiva. “É o caso de certos imunossupressores em melanoma, em que a presença da bactéria Ackermansia muciniphila pode aumentar a taxa de resposta anticâncer. Isso ocorre porque essas bactérias impedem a proteção que certos tipos de câncer podem ter contra a atuação desses medicamentos”, explica o professor Dan Waitzberg.

Todos os medicamentos têm de ser metabolizados pelo organismo e esse processo de quebrar, metabolizar e gerar os princípios ativos de todas as medicações depende essencialmente da microbiota. O professor Claudio Fiocchi acentua que, tendo uma microbiota saudável, esse processo deve gerar princípios ativos eficazes. Entretanto, se a microbiota estiver alterada, o remédio poderá não ter a eficácia esperada. “As pessoas pensam que o medicamento em si faz o efeito, mas não é assim. Só alguns componentes do medicamento têm eficácia e tudo isso depende da microbiota.

Por isso, ter uma microbiota saudável ajuda, em caso de doença, a gerar os metabólitos eficazes para combater o problema. Dos milhares de remédios utilizados no mundo inteiro, a eficácia é de apenas 40% para a população em geral. Por isso que muitos remédios não fazem efeito nenhum”, enfatiza.

Estudos experimentais com animais tentam definir o papel de algumas bactérias intestinais na metabolização de medicamentos, mas é algo difícil de estabelecer, uma vez que a mesma bactéria em pessoas diferentes pode ajudar ou ter um efeito negativo. Isso porque cada pessoa é tão individualizada, do ponto de vista genético e de aspectos sociais, que os efeitos dos medicamentos e as composições das bactérias nunca serão iguais. “Não existem duas pessoas no mundo que tenham a mesma composição bacteriana, mesmo os gêmeos univitelinos.

Há vários estudos mostrando que gêmeos idênticos têm o mesmo DNA, no entanto, assim que nascem cada um tem um comportamento diferente e uma microbiota diferente. Por esse motivo, essas análises são tão complicadas”, argumenta o professor Claudio Fiocchi.

Fonte: ABCD

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