Você que é paciente de Doença de Crohn ou Retocolite Ulcerativa sabe o que é uma ostomia?

Caso não saiba, sugerimos que confira nessa postagem antes de prosseguir: Estomia ou Ostomia?

 
A ostomia é uma opção no tratamento das DII quando os medicamentos já não conseguem manter o paciente com qualidade de vida. E claro que a ideia de ficar ostomizado gera uma ansiedade muito grande e muito medo também. Mas tudo isso pode ser amenizado quando conhecemos melhor o motivo, o procedimento e detalhes de todo esse processo.
 
Como a Doença de Crohn e a Retocolite inflamam a mucosa interna dos intestinos em pontos variáveis, pode acontecer casos em que os medicamentos não conseguem tratar essa inflamação e ela sempre retorna ou simplesmente nem vai embora. Com isso, após várias cicatrizações nessa mucosa, a passagem vai estreitando e forma uma estenose naquele ponto determinado do intestino. Pode haver dificuldade na passagem das fezes ou até mesmo obstruções. Esse é um caso de necessidade cirúrgica e dependendo do nível da obstrução ou do comprometimento da área afetada no intestino, essa área necessita ser retirada, podendo ou não, levar a uma ostomia, que também pode ser temporária ou definitiva. Se for temporária, significa que futuramente você fará a cirurgia de reversão e ficará livre da ostomia. Se for definitiva, você aprenderá a conviver com a bolsa coletora. Mas uma coisa é certa: a ostomia devolve a qualidade de vida ao paciente. A fase de adaptação não é fácil, mas justamente por isso é importante saber antes todos os detalhes sobre a ostomização.
 
Se a cirurgia de construção do estoma for de urgência, você não terá tempo hábil de tirar dúvidas e conhecer mais sobre o processo, por isso é tão importante ter esse conhecimento prévio. Mas se a cirurgia for eletiva, programada, você pode se preparar e obter informações com a equipe de saúde do hospital.

Vou deixar aqui algumas dicas úteis:

– Perguntar o tipo de estoma que será confeccionado e se será temporário ou definitivo.
 
– Procurar se inteirar sobre equipe de enfermagem e estomaterapeutas disponíveis para auxiliar no aprendizado do manejo da troca de bolsa e cuidados com a pele periestomal.
 
– Buscar por Associações de pacientes ostomizados que poderão auxiliar na aquisição de alguns equipamentos úteis futuramente e também para troca de experiências.
 
– Informar-se sobre o procedimento para aquisição gratuita de bolsas e materiais de proteção da pele que são distribuídos pela prefeitura do local em que você mora. É um direito seu, por lei.
 
– Conhecer os tipos de bolsa e as marcas existentes no mercado. Elas possuem sites com informações sobre estomas que podem ser bem úteis, assim como enfermeiras que podem garantir uma visita no pós cirúrgico para orientações.
 
– Elabore uma lista de perguntas que queira fazer antes da cirurgia, seja sobre o procedimento, sobre o pós cirúrgico, sobre sua vida como ostomizado(a).
 
O importante é você saber que a ostomia é uma opção e que são poucos os casos de ostomização nas DII, mas se for necessária a intervenção, que ela pode melhorar bastante a sua qualidade de vida e até mesmo promover a tão sonhada remissão da doença. Converse com ostomizados, aprenda com a experiência deles e acredite nos momentos felizes que virão após a adaptação.
 

Abaixo, alguns links que poderão ser bem úteis para ostomizados:

– Portaria SAS/MS nº 400 de 16/11/2009: regulamenta a Implantação de Serviços de Atenção a Saúde das Pessoas Ostomizadas, em todo o Território Brasileiro. http://ostomizados.com/direitos/portaria_400.html
 
– Decreto nº 5.296 de 02/12/2004: regulamenta e cita a ostomia como deficiência física. www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5296.htm
 
– Lei 12.738 de 30/11/2012: torna obrigatório o fornecimento de bolsas de ostomia pelos planos de saúde. www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2012/Lei/L12738.htm
 
– Cartilha muito bem elaborada sobre ostomia: Controlando a sua Ostomia 
Alessandra Castro
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