Como deve ser a vacinação em pacientes com Doença de Crohn e outras Doenças Inflamatórias Intestinais?

Saiba qual o momento e os tipos de vacina que pacientes com doenças inflamatórias intestinais podem tomar

Pacientes com DII tem risco aumentado de infecção, podendo ter evolução grave em pacientes com imunossupressão e desnutrição. É neste contexto que a vacinação profilática deve ser salientada.

Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa são doenças inflamatórias intestinais (DII), onde há uma resposta inflamatória crônica cuja causa principal deve-se a uma desregulação do sistema imunológico. Por isso, cada vez mais se faz uso de medicamentos que atuam na imunossupressão, como os corticoides, a azatioprina, o metotrexato e a terapia biológica – que no Brasil atualmente é representada pelo infliximabe, adalimumabe, certolizumabe pegol, vedolizumabe, ustequinumabe.

Pacientes com DII têm risco aumentado de infecção, podendo ter evolução grave em pacientes com imunossupressão e desnutrição. É neste contexto que a vacinação profilática deve ser salientada. De maneira geral, os calendários vacinais devem ser seguidos pelos pacientes com DII, porém, vacinas de vírus vivos devem ser evitadas naqueles em terapia imunossupressora.

Há três tipos de vacinas:

  • bactérias ou vírus mortos
  • bactérias ou vírus vivos atenuados
  • proteínas ou açúcares extraídos de vírus ou bactérias sintetizados em laboratório.

As vacinas de organismos vivos atenuados são seguras em indivíduos saudáveis. Já em indivíduos em tratamento com imunossupressão, podem causar infecção incontrolável.

Momento da vacinação

O ideal é que as vacinas sejam administradas antes do início do tratamento com imunossupressão, cerca de um mês antes do imunossupressor, ou dois a três meses após sua interrupção. Caso este cenário não possa ser cumprido, vacinas de organismos vivos não devem ser administradas. Vacinas de organismos mortos/inativos podem ser recomendadas mesmo em pacientes em tratamento com imunossupressão.

Recomendações para vacinação nos pacientes com Doença Inflamatória Intestinal

Vacinas Inativadas

Podem ser usadas em pacientes já em tratamento com imunossupressão:

  • Influenza: anualmente, uma vez ao ano
  • dT / DTP (Tétano / Pertussis): administrar caso não tenha recebido nos últimos 10 anos
  • Pneumocócica: uma vez a cada cinco anos
  • Hepatite A: duas doses. A inicial e outra após seis a 12 meses. Reforços a cada dez anos
  • Hepatite B: três doses em um, dois e seis meses
  • Meningocócica: caso não tenha sido vacinado antes
  • HPV : Homens homossexuais e mulheres entre 9 e 26 anos

Vacinas de Micro-Organismos Vivos

Elas NÃO devem ser realizadas em pacientes em tratamento com imunossupressão:

  • Varicela: checar títulos. Em caso sem imunidade, vacinar. Aguardar de quatro a 12 semanas antes de iniciar a imunossupressão
  • Herpes-zoster: a partir dos 50 anos. Aguardar de quatro a 12 semanas antes de iniciar a imunossupressão
  • Sarampo-Caxumba-Rubéola: checar títulos. Aguardar de quatro a 12 semanas antes de iniciar a imunossupressão. Reforço aos 50 anos
  • Febre amarela: vacinar em caso viagem programada para áreas endêmicas. O intervalo de imunossupressão deve ser de quatro meses
  • BCG: contraindicada em imunossuprimidos

Tuberculose

Outro cuidado muito importante antes de se iniciar o tratamento com imunossupressores biológicos (Anti-TNF alfa) é certificar-se sobre a presença do Micobacterium tuberculosis (TB) em sua forma latente, a qual pode ser ativada durante a imunossupressão e desencadear a tuberculose em sua forma típica.

Por isso, devem ser feitos os seguintes exames antes de iniciar o tratamento com drogas biológicas:

  • Raios x de Tórax
  • Teste Tuberculínico (PPD)

Pacientes com tuberculose latente devem ser tratados por seis a nove meses com isoniazida, iniciada ao menos 30 dias antes dos medicamentos Anti-TNF alfa.

Fonte: Minha Vida

Leia mais: www.farmale.com.br/vacinas-em-pacientes-em-uso-de-imunossupressores-ou-de-biologicos/

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