Tenho 51 anos, quando nasci fiquei quase um ano e maio internada, pois tinha intolerância à lactose e ninguém conhecia bem isso, diziam que era “alergia a leite “. Fiquei bem, mas sempre que comia algo diferente tinha diarréia,  mas não era nada preocupante. Aos 21 anos casei e logo quis ser mãe,  não engravidei e no curso da pesquisa de infertilidade descobriram que eu tinha endometriose intestinal. Fiz tratamento e em 08/1994 tive minha filha e tudo foi perfeito.
Chegamos em 02/1996 e tive um choque emocional muito grande e no dia seguinte começaram as diarréias,  perda de muco e sangue. Não tinha mais vontade de nada, a perna pesava, para chegar ao trabalho era necessário acordar 2 horas antes e fazer o trajeto Ponto de ônibus e casa umas três vezes por dia. No fim de um mês eu já tinha perdido 20 kilos. Nas consultas com meu clínico e ele dizia que a diarreia era os cachorros quentes estragados (problemas) que eu como na vida. 
Depois de inúmeros remédios e tratamentos ele pediu uma colonoscopia. Lembro como se fosse hoje quando fui à consulta prévia com o médico que fazia o exame e me deu uma crise dentro do ônibus, estava acompanhada do meu irmão e o fiz soltar para ir ao banheiro, ganhei uma bronca fenomenal dele pq não fui ao banheiro antes. Como explicar que a diarreia não dá sinal?  Á dor vem e não dá pra segurar. Resolvi engolir mais esse “cachorro quente” estragado. 
O exame diagnosticou a Retocolite Ulcetativa. Meu clínico tb gastro me tratou com sulfasalasia e continuei a viver com crise e segui a vida. Não faltava ao trabalho, saía menos, mas não deixava de sair. A família? Meu marido, hoje ex, dizia que era psicológico,  minha filha olhava pra mim e perguntava; “tá doente hoje, mamãe? ” Minha vida era um inferno, dores horrorosas, diarréia,  fraqueza, ferro que ocasionava mais diarréia. 
Em 2000 pesquisei a doença na internet e conheci a Associação Brasileira de CRU e Crohn. Fui indicada para uma médica especializada, refiz muitos exames e fiz outros novos. Estava com viagem marcada para a Europa e ela me orientou como proceder em tudo, desde a comida no avião até a alimentação lá e Remédios de SOS.

Passei 15 dias à base de remédios do SOS. Retornei e tive uma crise séria, fui ao hospital e fiquei internada, os médicos não mexeram em mim pq tinham medo, fugi do hospital e comecei um tratamento natural junto com a mesalazina que ela já havia me receitado. Tudo isso com 10 ou mais evacuações por dia, mas era tudo “psicológico “.
Em 2005 conheci um comunidade no Orkut  de portadores da doença e ja quase osso e pele fui parar em uma  emergência e conheci meu médico anjo que conhecia e era especializado em DII. Fiquei 10 dias internada e voltei a viver.
Hoje estou em remissão e vivo minha vida intensamente, mesmo tomando a medicação. Agradeço a Deus por ter me tornado uma pessoa melhor com a RCU e por não mais engolir “cachorro quente estragado” na minha vida. Sou divorciada, minha filha já tem 22 anos e não teme mais minha doença. 
 
Meu nome é Anna Cláudia Bueno, tenho 51 anos, moro no Rio de Janeiro, sou Funcionária Pública, tenho Retocolite Ulcerativa. Meu perfil no Facebook: https://www.facebook.com/annaclaudia.bueno
 
 
Conte sua história também! Expressar-se tranquiliza a dor.
Compartilhe a sua história aqui.  Para ler os depoimentos clique aqui.
Siga nas redes sociais:

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui