Amamentar é uma experiência única na vida da mulher, a qual propicia não só um melhor desenvolvimento do bebê, como também a criação de um vínculo especial entre mãe e filho. Existem no entanto algumas dúvidas e dificuldades, que os enfermeiros especialistas em Saúde Materna da Unidade Local de Saúde (ULS) do Nordeste (Portugal) procuram resolver, apoiando e dotando a mulher de conhecimentos e capacidades promotoras do aleitamento materno, logo desde o início da gestação, consolidando-os aquando da sua estadia no Hospital e promovendo a sua continuidade.
 

• O colostro (primeiro leite) possuiu uma maior densidade, mais proteínas, mais minerais, menos gorduras e hidratos de carbono, o que facilita a digestão

• Possui um baixo valor calórico, o que estimula o apetite da criança 

• Tem um poder laxante que contribui para a expulsão do mecônio

• Evita a alergia às proteínas do leite de vaca e outras

• Fornece ao recém-nascido anticorpos que o protegem das infeções 

• Possui glóbulos brancos e proteínas que se unem ao ferro excedentário, fatores que promovem o crescimento de bactérias benéficas ao organismo

• O fato de o pH intestinal das crianças amamentadas ser inferior e a flora ser constituída por Latobacillus bífidos evita a diarreia e a gastroenterite

• Durante a amamentação há maior participação dos músculos temporal e masseter, com menor atividade do músculo bucinador, criando condições para que o latente apresente um adequado crescimento das estruturas dentárias, assim como o desenvolvimento da função respiratória, da mastigação e da fala

• Os movimentos de sucção durante o aleitamento materno favorecem o posicionamento da língua na região palatina, na direção dos incisivos centrais, impedindo a passagem do ar pela boca, favorecendo a respiração nasal, o que contribui para o crescimento do maxilar

• A passagem do ar pelo nariz é responsável pelo abaixamento e expansão do palato, permitindo que o crescimento dos ossos da face acompanhe o crescimento corporal, gerando espaço para a erupção dos dentes

• Favorece o desenvolvimento psicomotor nas crianças, estando associado a aumento do coeficiente de inteligência (QI) das crianças

• Favorece o estabelecimento do vínculo afetivo entre mãe e filho, o crescimento da criança e o seu relacionamento com outras pessoas

• A criança amamentada é um bebê feliz, pois está sempre perto da mãe

Por todas estas razões, diminui a taxa de mortalidade e morbilidade do recém-nascido. Quanto às vantagens para a mãe, salientam-se a redução da hemorragia pós-parto; o favorecimento da involução uterina; o funcionamento como um contracetivo natural, se praticada amamentação exclusiva nas 24 horas e a diminuição da probabilidade de depressão.

De realçar também a importância da amamentação no futuro estado de saúde da criança, tendo sido apontados efeitos protetores relativamente à doença celíaca, arteriosclerose, diabetes tipo 1, doença de Crohn, retocolite ulcerativa, cárie dentária, hipertensão arterial, leucemia, alguns tumores e obesidade.

Quanto às vantagens econômicas desta prática, são consideráveis, não só para as famílias, como para as instituições de saúde e governos, pois ao reduzir infeções e outras doenças, diminuem o afastamento das mães e os gastos com a saúde. Assim como se verifica uma relevante poupança nos gastos com o aleitamento artificial.

Não menos importantes são as vantagens ecológicas: o aleitamento materno contribui para a saúde do planeta, pois o leite é produzido, transmitido e consumido sem poluição nem subprodutos residuais. Não consome energia nem recursos naturais, assim como não os contamina.

A amamentação não é um comportamento totalmente intuitivo, sendo necessário conhecer a técnica correta e os cuidados a ter com as mamas. A mãe tem de aprender a segurar a mama e a posicionar o bebê. E este tem de aprender a pegar na mama, para ter uma sucção eficaz. O posicionamento correto de ambos constitui o pilar da amamentação.

Existem diversas opções de posicionamento: sentada, deitada, com apoio em bola de râguebi, entre outras. É a mãe que deve decidir, junto do seu filho, qual a melhor posição, para que se sintam confortáveis e esta facilite os reflexos orais do bebê, ajudando-o a fazer uma boa pega.

A pega correta proporciona uma extração efetiva do leite e o esvaziamento da mama, evita fissuras, evita a dor durante a mamada, permite que o bebê ingira o leite anterior e posterior, e aumenta a autoestima materna.

Estas boas práticas são ensinadas, corrigidas e apoiadas logo desde o nascimento, no Hospital, promovendo o sucesso e prolongamento do aleitamento materno.

O recém-nascido pode mamar cerca de 12 vezes em 24 horas, o tempo que quiser, devendo ser ele próprio a deixar a mama, contudo, se o bebê dormir muito entre as mamadas e não ganhar peso, deve ser acordado para mamar.

As mães devem concentrar-se no bebê enquanto estão a amamentar, não fazer intervalos entre as mamadas superiores a três horas e amamentar num espaço tranquilo e confortável.

Os cuidados com a higiene e o próprio corpo são também essenciais, como lavar as mãos antes de cada mamada, usar roupas largas e um soutien que apoie os seios em vez de os comprimir, e expor os mamilos ao ar e à luz entre as mamadas, sendo que estes apenas devem ser lavados durante o banho.

É aconselhado aplicar sempre leite materno nos mamilos, no final de cada mamada e após o banho, por ser um protetor natural. A mãe deve saber observar as suas mamas e avaliar se estão moles ou ingurgitadas (duras). Se ingurgitadas deve, antes das mamadas, aplicar calor húmido, com toalhas mornas ou duches mornos, associadas a massagens suaves com movimentos circulares da base para o mamilo. Após as mamadas deve aplicar toalhas frias para diminuir o edema e a dor.

O bebê deve mamar até ficar satisfeito. Mas cada bebê tem o seu próprio ritmo. Por isso não se deve impor uma duração ou um horário de mamadas: o bebê deve mamar quando tem fome. Um dos indicadores de que a criança está a ingerir leite suficiente é existirem seis a oito fraldas molhadas com urina durante as 24 horas e aumento ponderal adequado.

Devido aos enormes ganhos em saúde, recomenda-se o aleitamento materno exclusivo até aos 6 meses, devendo as crianças continuar a ser amamentadas, pelo menos, até completarem os 2 anos de idade.


São inúmeras as vantagens do aleitamento materno, tanto para a mãe como para o recém-nascido, e tanto a curto como a longo prazo.
 
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